terça-feira, 22 de setembro de 2009

Terceira Margem

Encolho-me no canto do quarto
tal qual um menino se encolhe
surrado pelo pai.
As paredes crescem e envolvem-me,
o teto desaba, ‘baixo a cabeça,
deixo soterrar-me.
O ar que adentra meus pulmões
é gás carbônico bem sei
que tudo está perdido.
Não me mexo, imóvel, inútil!

A terceira via da terceira classe,
terceira ordem; sub-mundo,
sub-humano, sub de qualquer coisa.
Então, sento-me e espero,
pois que chegue o que tem de chegar
e se não chegar,
tudo bem!
O telefone pode não tocar,
ele pode não vir,
aliás, nunca ninguém vem...

Permaneço imóvel, encolhido no canto,
soterrado por mim mesmo
e choro por Você.
Tenho medo das paredes
que têm braços, pernas, bocas;
que sorriem e que batem.
Mas tenho mais medo
da navalha que vem na boca
dos homens e que me deixa
sangrando no canto do mundo.

É-me terrível o sol,
pertenço à classe sub-raça de treva.
As nuvens se aproximam,
nublam o tempo da existência
como a pressão aniquiladora
que prende-me ao canto,
onde permaneço imóvel,
apanhando das paredes disformes.
Os relâmpagos iluminam o breu
e dos olhos do vulto brota a chuva...


Eduardo Von Hanzen

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